sexta-feira, 28 de junho de 2013

John Henry Bonham

Meu baterista favorito, obviamente, é John Bonham. Mas hoje, com uma pequena ajuda de Keith Richards, finalmente consegui definir porque gosto tanto dele.


Keith Richards falou sobre Charlie Watts: "Esse tio sabe tocar a bateria. É tão sutil, acho que é o "roll" (do rock and roll). Não devem se concentrar no rock, isso qualquer um pode fazer, mas é o roll que conta. Não há ingredientes, mas tens que ter um bom baterista e vontade de querer fazer. Tens que desejar a morte."

Quem já ouviu Led Zeppelin não tem dificuldade em perceber que Bonham seria, na definição de Keith Richards, o exemplo mais explosivo de "rock". Mas tem muito "roll" nesse "rock". Bonham toca muito pesado, mas é um peso bem elaborado. E o diferencial: essa elaboração que não vem de estudos e ensaios, mas é intuitiva, feita por quem sabe o que pode conseguir dos tambores e pratos à sua frente. E dos tímpanos e do gongo.

Os vídeos abaixo foram gravados em Londres em 1975. Não é fácil encarar um solo de bateria de 20 e tantos minutos, mas Bonham torna isso possível e agradável. O mais legal é que Jason, 8 anos, filho de John, estava na plateia. Tempos depois ele se tornaria o baterista honorário do Led Zeppelin nas raras reuniões da banda.

Jason, this is your dad. John Bonham: "Moby Dick"!

Parte 1

Parte 2

Parte 3

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O belo exemplo de Faroeste Caboclo

Cartaz Faroeste Caboclo
A versão cinematográfica de Faroeste Caboclo é um excelente exemplo de roteiro (bem) adaptado.

Atenção: este texto contém spoilers.

Teria sido simples e seguro fazer um videoclipe da música. A letra é tão descritiva que bastaria ilustrar todas as situações descritas para o filme ficar pronto. Um eventual recurso de flashback, com cores desbotadas e os cantos da tela desfocados na parte em que João lembra tudo que viveu até ali, dezenas de figurantes reunidos para assistir ao duelo final, que em seguida apareceria na televisão de uma família abastada reunida para o jantar, e os fãs de Renato Russo sairiam do cinema felizes e satisfeitos.

Isso seria um desperdício de tempo e dinheiro, pois cada pessoa que prestou atenção na música já fez este filme em sua cabeça. Paulo Lins (roteiro) e René Sampaio (direção) optaram por contar uma história a partir de elementos sugeridos na canção original (a época em que as coisas acontecem, a Rockonha), mas com suficiente independência para a inclusão de novos personagens (o policial Marco Aurélio), uma apresentação mais detalhada de outros (Pablo e Jeremias) e, o mais chocante, mudando não o final da saga, mas a maneira como ele acontece.

O final do filme é, justamente, o trecho em que as alterações ficam mais evidentes. É muito forte a lembrança do repórter anunciando o duelo na televisão e o povo indo assistir ao confronto, mas no cinema isso ocorre em um campinho de futebol vazio, sem testemunhas.

A execução da música original durante os créditos serve bem para estimular a comparação entre a história contada pela Legião Urbana e a contada por Lins e Sampaio. E mostra como o filme tem vida própria.