quarta-feira, 23 de outubro de 2013

McPimenta: o Angus Tabasco é monótono

A linha Angus é uma ótima opção para quando dá vontade de comer McDonald's mas dá preguiça de comer Big Mac.

(Tenho uma teoria de que McDonald's não vende hambúrguer, vende um lanche parecido com hambúrguer, assim como a Pizza Hut vende uma torta parecida com pizza. Neste raciocínio, a linha Angus seria o sanduíche do McDonald's mais próximo de um hambúrguer.)

Angus com Tabasco

Acho o Angus Deluxe realmente gostoso: o molho (quase) sutil, dois hambúrgueres com carne suculenta e saborosa e a cebola com gosto e textura de cebola. O lanche é grande, enche a barriga pelo resto da tarde. O Angus Bacon também é legal, mas não sou lá muito fã de bacon, então prefiro o Deluxe mesmo.

Pois eis que há alguns dias li no Hambúrguer Perfeito e depois vi na TV a nova versão do Angus, com pimenta Tabasco. Salivei: Tabasco é uma delícia, Angus idem. Seria este o melhor sanduíche da rede?

Hoje finalmente fui sanar esta dúvida. Achei o sanduíche realmente apimentado, talvez até demais para paladares mais conservadores, porém bem equilibrado, saboroso. Mas senti falta de um pouco de sutileza, a pimenta é muito constante.

Não havia uma mordida com menos pimenta para contrastar com um pedaço mais quente, de modo que logo achei o sanduíche monótono. A cada pedaço eu sabia que viria mais pimenta.

Foi inevitável a comparação com o Furioso do Burger King, feito com rodelas de pimenta jalapeño, o que proporciona justamente esta "surpresa" a cada mordida.

Também achei o Angus com Tabasco muito leve, não fiquei com a sensação de barriga cheia. Isso pode ser um ponto positivo, mas não corresponde à minha intenção quando vou o McDonald's.

Valeu a experiência e valeu a ousadia de McDonald's em lançar um sanduíche apimentado, mas da próxima vez pedirei o Angus Deluxe. Ele ainda é a obra-prima do Ronald.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

John Henry Bonham

Meu baterista favorito, obviamente, é John Bonham. Mas hoje, com uma pequena ajuda de Keith Richards, finalmente consegui definir porque gosto tanto dele.


Keith Richards falou sobre Charlie Watts: "Esse tio sabe tocar a bateria. É tão sutil, acho que é o "roll" (do rock and roll). Não devem se concentrar no rock, isso qualquer um pode fazer, mas é o roll que conta. Não há ingredientes, mas tens que ter um bom baterista e vontade de querer fazer. Tens que desejar a morte."

Quem já ouviu Led Zeppelin não tem dificuldade em perceber que Bonham seria, na definição de Keith Richards, o exemplo mais explosivo de "rock". Mas tem muito "roll" nesse "rock". Bonham toca muito pesado, mas é um peso bem elaborado. E o diferencial: essa elaboração que não vem de estudos e ensaios, mas é intuitiva, feita por quem sabe o que pode conseguir dos tambores e pratos à sua frente. E dos tímpanos e do gongo.

Os vídeos abaixo foram gravados em Londres em 1975. Não é fácil encarar um solo de bateria de 20 e tantos minutos, mas Bonham torna isso possível e agradável. O mais legal é que Jason, 8 anos, filho de John, estava na plateia. Tempos depois ele se tornaria o baterista honorário do Led Zeppelin nas raras reuniões da banda.

Jason, this is your dad. John Bonham: "Moby Dick"!

Parte 1

Parte 2

Parte 3

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O belo exemplo de Faroeste Caboclo

Cartaz Faroeste Caboclo
A versão cinematográfica de Faroeste Caboclo é um excelente exemplo de roteiro (bem) adaptado.

Atenção: este texto contém spoilers.

Teria sido simples e seguro fazer um videoclipe da música. A letra é tão descritiva que bastaria ilustrar todas as situações descritas para o filme ficar pronto. Um eventual recurso de flashback, com cores desbotadas e os cantos da tela desfocados na parte em que João lembra tudo que viveu até ali, dezenas de figurantes reunidos para assistir ao duelo final, que em seguida apareceria na televisão de uma família abastada reunida para o jantar, e os fãs de Renato Russo sairiam do cinema felizes e satisfeitos.

Isso seria um desperdício de tempo e dinheiro, pois cada pessoa que prestou atenção na música já fez este filme em sua cabeça. Paulo Lins (roteiro) e René Sampaio (direção) optaram por contar uma história a partir de elementos sugeridos na canção original (a época em que as coisas acontecem, a Rockonha), mas com suficiente independência para a inclusão de novos personagens (o policial Marco Aurélio), uma apresentação mais detalhada de outros (Pablo e Jeremias) e, o mais chocante, mudando não o final da saga, mas a maneira como ele acontece.

O final do filme é, justamente, o trecho em que as alterações ficam mais evidentes. É muito forte a lembrança do repórter anunciando o duelo na televisão e o povo indo assistir ao confronto, mas no cinema isso ocorre em um campinho de futebol vazio, sem testemunhas.

A execução da música original durante os créditos serve bem para estimular a comparação entre a história contada pela Legião Urbana e a contada por Lins e Sampaio. E mostra como o filme tem vida própria.