Finalmente o Corinthians é campeão da Libertadores. Uma campanha impecável, campeão invicto em uma bela festa no Pacaembu que deixou a cidade com clima de final de Copa do Mundo. Os fogos de artifício não param e devem continuar assim durante todo o dia. O grande responsável por tudo isso? Andrés Sanchez.Este título da Libertadores teve início em dezembro de 2007, quando o time foi rebaixado para a série B do Campeonato Brasileiro. O que poderia ser o princípio de uma grave crise acabou sendo a deixa para uma renovação no comando do clube. Após 15 anos Alberto Dualib deu lugar a Andrés Sanchez, que conseguiu unir o clube em torno do objetivo de subir à divisão principal.
A bela campanha da série B em 2008 conseguiu aumentar a auto-estima dos torcedores, um bando de loucos que não podia abandonar o time num momento tão delicado. Logo vieram mais títulos, Campeonato Paulista, Copa do Brasil, Brasileiro da série A. Só faltava a Libertadores, que quase se tornou um tabu após a elimiminação para o Flamengo no ano do centenário e para o Tolima em 2011.
Foi quando Andrés Sanchez se mostrou novamente decisivo. Ao invés de demitir o técnico Tite, atitude óbvia que contaria com amplo apoio da torcida, Andrés bancou o treinador e deu tranquilidade para que ele montasse o time ideal. Deu certo em 2011, com o título brasileiro, deu certo em 2012, com a Libertadores.
Imagino que nem todos os conselheiros do Corinthians apoiem Andrés Sanchez, mas seus opositores não têm atitudes destrutivas. Podem ter ideias divergentes, mas acima de tudo têm amor pelo mesmo clube, têm um ideal maior que os une.
Fico triste por não ver atitudes como esta entre os conselheiros e dirigentes do Palmeiras. A troca constante de presidentes após o longo período de Mustafá Contursi não trouxe a renovação esperada. Todos parecem lutar por seus próprios egos, por orgulhos pessoais, não pelo clube. No Palmeiras o sucesso de uma administração parece provocar inveja ao invés de alegria, então é melhor que ninguém tenha sucesso.
Isso está levando o clube a uma situação delicada. A perspectiva de vencer a Copa do Brasil parece muito mais obra do acaso do que resultado de um trabalho sério. Não é possível traçar um cenário otimista para o restante da temporada e uma eventual participação na Libertadores de 2013.
O Palmeiras precisa de um Andrés Sanchez. De alguém que una o clube em torno de um ideal e resgate a auto-estima da comunidade alviverde. Caso contrário irá se tornar um coadjuvante, um pedaço da história do futebol brasileiro sem relevância no presente.
Atualização: Erich Beting publicou um texto há pouco explicando como Andrés Sanchez buscou a orientação de Ferran Soriano, dirigente do Barcelona, para planejar sua gestão. Confira: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2012/07/05/a-bola-nao-entra-por-acaso/