sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Ponto de Ônibus
O ponto de ônibus estava lotado. E a fila de ônibus demorava a andar, pois os ônibus já estavam cheios quando chegavam ao ponto, fazendo com que as pessoas demorassem a embarcar. O cheiro gorduroso dos salgadinhos vendidos pelo ambulante quase me causava náuseas. Três ou quatro pessoas ouviam músicas nos telefones celulares, mas naturalmente não usavam fones de ouvido. O funk se misturava ao gospel e ao sertanejo universitário. Pelo menos já não estava tão quente. Não havia nuvens no céu, não fosse a poluição seria possível ver estrelas. A lua estava fina, quase nova. O motor do ônibus biarticulado fazia mais barulho que o normal, talvez estivesse velho, talvez o veículo estivesse pesado. O cheiro de óleo diesel se misturava ao cheiro dos salgados gordurosos. E ao cheiro de pólvora e sangue. O estampido do revólver se misturou ao barulho do ônibus e deu início ao barulho de gritos e choro das pessoas assustadas. O corpo caiu sobre os salgados, misturando sangue e vinagrete. Como a fila de ônibus demorava a andar, fui embora a pé.
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