A velocidade com que ocorrem atualizações nos sites de notícias e a necessidade de um volume grande de material para suprir estas atualizações costumam levar a resultados desastrosos.
O maior problema neste sentido são as notícias inúteis. O rapaz que tocou violão na janela do 21º andar, depois fumou um cigarro e entrou no apartamento e a cantora que pulou corda e, segundo o site de fofocas, estava fazendo exercício, são dois exemplos que ocorreram na última semana.
Outro problema é a falta de revisão nos textos. Isso pode ocorrer por conta de um estagiário inexperiente, um editor relapso, um jornalista metido a escritor ou por pura preguiça de mexer em um texto que chegou pronto. Hoje me deparei com um belo(?) exemplo. Confira:
"O Boeing 787 batizado Dreamliner aterrissou pela primeira vez neste domingo (18) fora dos Estados Unidos, em Farnborough, perto de Londres, para participar no Salão Aeronáutico que se celebra nessa localidade."
Encontrei este texto no G1 (http://bit.ly/ao4DnO), mas uma rápida pesquisa no Google mostra que ele está disponível em vários sites. O crédito para a pérola é da France Presse, sem créditos para a tradução.
Mas o que me incomodou tanto? O desrespeito à regra básica do jornalismo sobre escrever de maneira simples e o cacófato que me doeu os ouvidos, mesmo que eu tenha lido a nota em silêncio.
Ao invés de dizer que o avião foi a "Farnborough, perto de Londres, para participar no Salão Aeronáutico que se celebra nessa localidade", a pessoa poderia ter escrito "para participar do salão aeronáutico em Farnborough, perto de Londres".
Teria sido bem mais simples e ainda evitaria o acidente "se celebra". E também o uso exagerado do verbo celebrar: um evento aeronáutico se "realiza"; o termo "celebrar" deveria ser reservado a festas e premiações, não a feiras comerciais.
Seria pedir muito que alguém em alguma redação lesse o texto antes de publicá-lo, ao invés de simplesmente replicar o material enviado pela agência?
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