quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Saúde pública

Dois textos me chamaram a atenção ultimamente em relação à maneira como a saúde pública é tratada no Brasil e na Inglaterra. É óbvio que na Inglaterra o sistema é muito mais eficiente etc. e tal, mas quando temos dois casos contretos pra comparar a diferença fica ainda mais discrepante.

O primeiro caso, primeiro porque li há mais tempo, é de um estudante brasileiro que mora em Norwich, interior da Inglaterra, cidade milenar com pouco mais de 120 mil habitantes a duas horas - de trem - de Londres. Cerca de 2,5 mil destes habitantes estudam na universidade local.

O tal estudante passa horas à frente do computador, pois o prazo para entregar sua tese é restrito, e isso afetou seus olhos. (O computador fica na biblioteca da universidade, que tem centenas de computadores para os alunos usarem e 800 mil livros para pesquisa.)

Ele é brasileiro, mas tem direito ao serviço público de saúde britânico como qualquer cidadão. O atendimento é gratuito e rápido. No caso do olho irritado, o médico recomendou descansos de meia hora a cada hora e meia e um colírio. Para comprar o colírio o estudante teve de ir até a farmácia do serviço público de saúde e teve de pagar pelo medicamento: 7 libras, cerca de 25 reais. Se o medicamento fosse de uso contínuo, ou se o brasileiro não tivesse como pagar, seria gratuito.

O segundo texto relativo à saúde pública que me chamou a atenção foi escrito pela vereadora Soninha Francine em seu blog, e conta o caso de uma moça que sofre de dores nas costas. Dores nas costas são terríveis, e por conta disso ela por vezes falta ao serviço.

Ela conseguiu ser atendida no Hospital das Clínicas. Deveria fazer uma tomografia, mas como o prazo para marcar o exame é 3 anos, a médica marcou um raio-x para depois de 3 meses. O retorno à médica foi feito um mês depois do raio-x, e agora ela precisa de exames complementares, marcados para daqui a mais 3 meses.

A tal paciente precisa de remédios. Alguns são fornecidos gratuitamente, mas às vezes não estão disponíveis. Outros ela precisa comprar, e provavelmente custam bem mais que 25 reais. Não há previsão de quando a paciente terá um diagnóstico preciso sofre seu problema, muito menos de quando ela estará curada.

Esta comparação é bastante simples, mas serve pra exemplificar como o Brasil é um país irritante. Talvez daqui a 150 anos as coisas estejam um pouco melhores - mas eu não estarei aqui para conferir!