quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Parlapatice 224 - Dia do (combato ao) Fumo

Apuração é o nome dado ao ato de jornalistas verificarem os dados antes de divulgá-los. Isso não garante que as informações publicadas/transmitidas são verídicas ou exatas, mas ao menos permite que o jornalista durma com a consciência tranquila: a notícia foi baseada em dados fornecidos por determinada pessoa ou empresa.

O problema é que nem sempre as fontes, como são chamadas as pessoas/empresas que fornecem informações a jornalistas, têm certeza sobre o que estão dizendo. Ou podem até ter certeza, mas a origem dos dados pode ser diferente, o que muitas vezes leva a variações absurdas entre notícias divulgadas por diferentes órgãos noticiosos.

Hoje, dizem, é o dia de combate ao fumo. Ou aos fumantes, depende do ponto de vista. Um argumento bastante utilizado para assustar os fumantes é o número de pessoas que morrem devido a problemas causados pelo vício, como cânceres, efizemas e incêndios. (Sim, pois é perigoso dormir com o cigarro aceso na mão.) Não gosto desse argumento, pois essas pessoas morreriam, mais cedo ou mais tarde, por outros motivos: não conheço ninguém que tenha deixado de morrer porque nunca fumou. Quem não fuma pode demorar mais, mas também morre.

Toda essa introdução foi apenas pra citar dois exemplos de como informações podem variar de maneira assustadora. No Jornal Hoje de hoje (adoro esse trocadilho) a Sandra Annenberg disse que "segundo o Instituto Nacional de Câncer, por ano no Brasil, 200 mil pessoas morrem de doenças relacionadas ao fumo". É muita gente, sem dúvida.

Agora há pouco, entretanto, eu estava surfando(!) na internet e achei, em uma matéria no site Guia da Semana, a seguinte afirmação: "só no Brasil o número de vítimas do tabaco é alarmante: aproximadamente 10 mil pessoas morrem diariamente decorrentes de doenças associadas ao vício". Dados da Organização Mundial da Saúde. Ora, os 200 mil mortos do Jornal Hoje são muito mais alarmantes que os 10 mil do Guia da Semana.

Quem está certo? Os dois podem estar. O Instituto Nacional de Câncer e a Organização Mundial da Saúde podem usar critérios diferentes para atribuir a morte ao cigarro ou a outros motivos. Ou os números podem estar diferentes por erro do jornalista, claro - erro de apuração ou digitação. De qualquer forma, teria sido interessante falar quantas pessoas morrem por ano no Brasil, independente do motivo, pra se ter uma idéia de o quanto o cigarro é mortal.

Pior que não ler nenhum jornal é ler apenas um.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Calçada Tosca!

Registros de uma calçada na esquina da rua Casa do Ator com a rua Ribeirão Claro, na Vila Olímpia, São Paulo.





Visite o site Calçada Tosca!: http://calcadatosca.com.br.