Do nada, ei-los! No lugar de Rita, Zélia Duncan. Estranheza num primeiro momento, claro, mas.... por que não? Sangue novo na banda, com trocadilho - ela deve ter 20 anos a menos que os irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista. Na bateria o bom e velho Dinho Leme, o Sir Ronaldo I Du Rancharia. Para acompanhá-los, uma enorme e competente banda.
O show em Londres, distribuído na internet no dia seguinte à apresentação, foi surpreendente. A energia, o vigor, nada fazia lembrar um concerto beneficente em benefício de médicos geriatras. Eles pareciam estar com gana de tocar, de mexer no tesouro plantado há quase 40 anos.
A volta ao Brasil não poderia ser em melhor data: aniversário de São Paulo. No Museu do Ipiranga, onde D. Pedro I teve dor de barriga. (Tom Zé falou isso ao vivo no SPTV, para desespero da repórter!)
Como disse no começo do texto, não era um sonho vê-los ao vivo. Mas, em eles estando reunidos, era algo imperdível. Após quase 15 anos viajando através dos discos, poderia viajar pessoalmente!
A chegada ao Museu não foi muito animadora, muita gente, muita fila, pouco lugar pra estacionar. Este problema foi resolvido com a boa e velha técnica de parar a algumas quadras de distância. Para enfrentar a fila, um pacote de fritas - batatas.
O medo de que a maior parte do público estivesse lá apenas pelo oba-oba logo se mostrou infundado: os adolescentes presentes cantavam Chico Buarque, Raul Seixas, Jorge Ben, além de Mutantes. Ou seja, sabiam o que estavam fazendo ali.
Apesar de grande, a fila andava rapidamente, sem, confusão. À distância o jardim do Museu parecia lotado, mas na verdade não estava mais cheio do que qualquer show de estádio. Não foi difícil chegar perto do palco, a uma distância suficiente para um míope sem óculos identificar os integrantes da banda e suas roupas. Arnaldo entrou vestido de padre, Sérgio de D. Pedro.
Todos com tesão de estar ali, a felicidade estampada em seus rostos. Foi um momento especial para eles e para o público. No repertório, só a fase áurea da banda.
Dom Quixote, Dia 36, Minha Menina, Caminhante Noturno, Tecnicolor, Qualquer Bobagem, Desculpe Babe, Baby, Ave Lúcifer, Le Premier Bonheur du Jour, Cantor de Mambo, A Hora e a Vez do Cabelo Nascer, Top Top, Virgínia. El Justiciero com críticas a Lula. 2001 com a participação de Tom Zé, emocionante. Bat Macumba, enebriante. Sérgio errou a letra da Balada do Louco, que foi repetida após o bis, o que reforça os boatos de que o show seja lançado em DVD (tomara!). Ando Meio Desligado com letra híbrida, metade em inglês, metade em português. No final, Panis et Circensis.
Talvez eu tenha esquecido alguma coisa, mas poucas bandas poderiam fazer um show com 20 músicas desta qualidade, todas acompanhadas em coro pela platéia. Zélia Duncan esteve perfeita, e eu nem sou fã da carreira solo dela. Sérgio se divertiu à beça, tocou ajoelhado, sentado à beira do palco, deitado! Arnaldo cantou três músicas e foi ovacionado. Dinho mandou muito bem.
São Paulo merecia um presente de aniversário como este. 25 de janeiro de 2007 é uma data especial em minha memória.
(A foto lá em cima, que mostra a Zélia, o Tom Zé e o Arnaldo, foi tirada por mim.)
O senhor bem que poderia escrever com mais frequência textos desse porte. Os leitores agradeceríamos.
ResponderExcluirUm abraço,
prof. Cardoso