terça-feira, 1 de agosto de 2006

Parlapatice 115 - Fidelidade

"Fidel não está próximo da morte, diz assessor"

Que susto!!

Ao ver as palavras "Fidel" e "morte" na mesma frase, pensei que o comandante tinha batido as botas.

Não sou exatamente um defensor de Fidel, mas acho que o mundo ficaria muito estranho sem ele. De certa forma é confortante saber que ele está lá, talvez o único símbolo de um mundo tão próximo e tão distante. Nos últimos 15 anos as coisas mudaram tanto!

Há 15 anos eu não estaria escrevendo este blog. Quando muito estaria publicando um zine. Se você não sabe o que é zine, consulte a Wikipédia. Ou o Aurélio.

Há 15 anos eu sonhava com discos resenhados na Bizz que jamais seriam lançados no Brasil, e disco importado era caro, e raro. Hoje também é, mas no meio dos anos 90 valia mais a pena comprar CD importado. Era fácil de achar, na Produsom, na Lady Jane ou na Galeria. CD nacional era barato, coisa de 18 reais, mas por poucos reais a mais tínhamos encartes de melhor qualidade - e muitos dos discos resenhados pela Bizz que não eram lançados por aqui. Hoje temos qualquer disco disponível, e de graça. (Não que eu baixe música pirata, magina fazer uma coisa dessas, mas que isso existe, existe!)

Não existia bipe (ou pager), quiçá celular. Hoje os celulares estão se tornando bipes, SMS é mais barato que ligação. TV saía do ar de madrugada, menos a Globo de sábado para domingo, e ninguém sentia falta. Era uma delícia acordar no sofá às 4h30 com aquele chiado! Antes de entrar no ar as emissoras tocavam música....

Em SP existiam 7 canais em VHF: Cultura canal 2, TVS canal 4, Globo canal 5, Record canal 7, Manchete canal 9, Gazeta canal 11 e Bandeirantes canal 13. A MTV (ême-tê-vê), canal 32 em UHF, deixava o logo com a bandeira do Brasil na tela enquanto estava fora do ar, se não me engano das 2h às 6h. O SBT não pegava no Acre, nem em Rondônia, nem em Roraima. Veja estas vinhetas: vinheta 1 e vinheta 2.

A 89 FM de SP tocava rock. O dinheiro chamava Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro (de novo) e Cruzeiro Novo. O Brasil era tricampeão. Carro a gasolina era raridade. Discos eram gravados em fita K-7. Existiam locadoras de CD. E locadoras de vídeo - VHS - que trabalhavam com fitas pirata, o aluguel era mais barato que o das "fitas seladas".

A Pernambucanas vendia basicamente tecidos. Não havia Casas Bahia em shoppings. Não havia tantos shoppings. Eletrodomésticos eram comprados na Loja Centro, na G.Aronson ou no Mappin. Rua Augusta era chique. Meio decadente, mas chique. Vila Madalena era bairro residencial. A ponte-aérea era voada por Electra II, aviões com hélices. As empresas aéreas eram Varig, Vasp e Transbrasil. Contas eram pagas em dinheiro ou cheque, quando muito com cartão de crédito. Existia consórcio de vídeo-cassete.

O Para era João Paulo II. Que não era "um" Papa, era "o" Papa. Já o Bento 16 é "um" Papa. É muito estranho ver o Joseph Ratzinger vestido de Papa, quando no lugar dele deveria estar o Karol Wojtyla.

Há 15 anos Fidel Castro era o Presidente de Cuba. Ainda é. Ainda bem!

Um comentário:

  1. Carmaba Senise como o Fidel lhe fez lembrar de tantas coisas hehe.

    Só um parênteses. Vejo os exilados em Miami comemorando a doença de Fidel. Mas se não fosse ele junto com Che os americanos teriam dominado Cuba, coisa que fizeram tantas vezes como no Iraque, Afeganistão e Vietnã.

    E em Cuba não é o Fidel que tem o poder e sim a família Castro.

    Uma música para essa ocasião: "O Brasil vai lançar um foguete Cuba também vai lançar" hahaha

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