segunda-feira, 22 de maio de 2006

Parlapatice 91 - Virada Cultural

Fantástica essa idéia da Virada Cultural. Inspirada nas "Noites Brancas" que ocorrem em Paris, Madri e Roma, é uma oportunidade perfeita para curtir a madrugada no Centro da cidade.

Enquanto de dia o Centro é lotado, quando escurece a região fica deserta. Linda, bem iluminada, romântica, mas deserta. Já durante a Virada o Centro fica lotado à noite! Como deveria ser sempre, animado, pessoas passeando, e o mais importante: sem medo! A sensação de segurança era grande, viaturas faziam ronda silenciosamente.

E pra animar o povo, shows em diversos locais. Fui ao Karnak no Vale do Anhangabaú. O palco estava na verdade montado no calçadão do começo da Av. São João, entre um edifício muito antigo e uma loja de malas, pastas e mochilas aberta em 1905. Perto de um cinema especializado em filmes de sacanagem.

No Vale propriamente dito, nada que ameaçasse os belíssimos jardins reformados pela Marta Suplicy - a quem devo agradecer o zêlo com que tratou o Centro em sua administração (2001-2004). Quando havia shows lá, há uns 15 anos, os jardins estavam sempre destruídos, pois eram pisoteados semanalmente pelo público. Nessa época o palco era montado ao lado do Viaduto do Chá.

Este ano, debaixo do Viaduto havia várias tendas, fechadas de madrugada. E, por volta das 4:30, percorrendo o Vale, vindo da Rua Boa Vista, um grupo de percussão. Animadíssimo, pessoas desfilavam sambando ao lado dos músicos, gritavam, batiam palmas. Pela programação do site da Virada deduzi que era o grupo Sambaqui.

Enquanto isso, no palco de Vale do Anhangabaú montado na Av. São João, terminava o show do Trio Mocotó com o Skowa. Hora de arrumar o palco pro Karnak. Arrumação que durou uma hora! Nos alto-falantes, sambas ao vivo. A platéia conversava, tranquila. Lá pelas tantas um apresentador avisa o dono do Palio champagne que seu veículo em breve seria removido para o pátio da CET, por estar estacionado em local proibido. Brinca com a platéia, que esperava sem ansiedade o início do show. Demorou, mas estava todo mundo calmo.

Inclusive um bêbado que vagava por ali. Quando digo "bêbado" o faço sem nenhuma crítica, é apenas a definição mais fiel que encontrei. Olhava tudo com uma expressão de "que diabo de bagunça é essa? O que todo esse povo tá fazendo aqui? Mas tudo bem, esta festa tá boa"! A impressão que tive é que haviam montado o palco na casa dele.

Às 6 horas, começa finalmente o show do Karnak. Que durou pouco mais de uma hora, tempo suficiente para lavar a alma e o céu mudar de negro para azul! Na platéia vários fãs, que cantavam todas as músicas, outros não tão fãs, que aprendiam o refrões na hora. O líder da banda André Abujamra - agora em versão magra - mais de uma vez "tocou" a platéia, orientando o lado esquerdo a fazer um som, e o direito a fazer outro. Os músicos dançavam, erravam a coreografia, se divertiam também.

No final, uma ótima notícia: o Karnak está de volta - eles haviam se aposentado em 2002 e desde então faziam apenas um show por ano. Vão lançar um CD e um DVD ainda em 2006. Mas farão poucos shows, pois o cachê é muito alto.

O vídeo abaixo é da música "Juvenar", a penúltima do show antes do bis.

Um comentário:

  1. Puxa, que pena que começou mais tarde do que o previsto. Daria tempo de ter ido, depois da Trash! De qualquer forma, obrigada pelo "Juvenar", música de que eu gosto tanto, e pela boa notícia da volta do Karnak.

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