segunda-feira, 22 de junho de 2015

Comprar aveia on-line

Resolvi testar o site do Sonda Delivery. Foi uma experiência traumática.

Procurei por "aveia" e nos resultados, ordenados por relevância, o primeiro item foi sabonete de aveia. O segundo foi biscoito de aveia. E só o terceiro foi aveia. Em flocos finos, mas aveia.

Por que diabos o site do Sonda acha que se o cliente procura por "aveia" ele quer comprar sabonete?

Busca por aveia no site do Sonda.
Busca por "aveia" no site do Sonda.
Nessas horas percebo como Google ainda está anos-luz à frente de outros sistemas. Nos primórdios da internet, ainda nos anos 1990, uma reportagem sobre sites de busca dizia que uma pesquisa sobre "cure" iria trazer resultados sobre a banda The Cure mas também sobre a cura do câncer. O Google resolveu isso: ele consegue "adivinhar" qual "cure" o internauta está procurando.

Em um site de vendas isso me parece muito mais simples de resolver. Aveia, sabonete e biscoito são três termos que dificilmente se confundem. Também pesquisei por água, e o segundo resultado foi água sanitária. Diacho, se eu quisesse água sanitária eu teria escrito exatamente isso, ou então Cândida. Uma pesquisa por água deveria trazer apenas água potável.

Na busca por açúcar os dois primeiros resultados foram corretos, mas o terceiro e o quarto itens foram refrigerantes H2OH zero açúcar. Na busca por sal apareceram margarinas e manteigas com sal. E na busca por "Cândida" o resultado foi seis produtos com a marca Cândida, seguidos por dois vinhos italianos "fontana candida frascati".

Se o Sonda quiser me contratar para realizar testes de usabilidade e arquitetura da informação, estou à disposição. Mas desta vez eu fiz as compras em outro supermercado virtual.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Corinthians e PT: tudo a ver

Escudo do Corinthians e logotipo do PT
Uma frase usada para ilustrar o quanto o Corinthians é importante no cenário futebolístico brasileiro diz que todo mundo é corintiano: quem não é a favor, é contra. Ou seja, ninguém fica imune ao timão. Muitos não-corintianos chegam a comemorar mais uma derrota do timão que uma vitória de seu próprio time, o que importa é o Corinthians perder. Tem gente que trocaria um título de seu time por um rebaixamento corintiano.

Este padrão de comportamento também pode ser observado em relação ao PT. É fácil encontrar petistas apaixonados: defendem sempre o candidato 13, que representaria ideais progressistas e estaria naturalmente imune a tentações. Mesmo quando o PT se alia a antigos adversários o petista argumenta que se trata de concessões necessárias para um alcançar objetivos maiores.

Já o anti-petista parece ver o diabo desenhado na estrela vermelha. O número 13 é o 666 contemporâneo. O PT precisa ser derrotado nas urnas, não importa por quem. O candidato pode ser homofóbico, pode defender a ditadura militar, pode ser corrupto, mas se puder derrotar o PT, estará perdoado.

O problema neste comportamento, tanto no futebol como na política, é a cegueira causada pela paixão. Sim, paixão, pois a defesa ou a repulsa incondicional do Corinthians e do PT passa ao largo da racionalidade. É pura emoção. A racionalidade é usada apenas para justificar a paixão. Argumentos são construídos sobre fatos frágeis, muitas vezes distorcidos até se tornarem úteis para corroborar a tese que está sendo defendida.

A paixão relacionada ao futebol pode ser divertida, afinal é uma forma de entretenimento. Tanto faz quem ganha o campeonato, ano que vem tem outro, outra chance de o Corinthians ser rebaixado ou ser eliminado do campeonato por um time inexpressivo.

Já a paixão relacionada à política cansa. Argumentos vendidos como irrefutáveis não resistem a uma simples investigação. As acusações ao adversário parecem birras infantis, e a acusação acaba sendo a regra, que deveria ser a proposta de ideias. Os candidatos não dizem o que acreditam ser correto, mas apontam no adversário o que estaria errado. Dedos em riste, argumentos frágeis.

Para quem não é petista nem anti-petista, é um processo enfadonho. Que chegue logo o dia 27 de outubro.

domingo, 24 de agosto de 2014

Inferno astral alviverde

Brasão oficial do Centenário do Palmeiras. (Crédito: Divulgação.)Eu não acredito em inferno astral, o período de crise que antecederia o aniversário. A duração do inferno astral seria de um mês, quando todos os problemas seriam culpa desta inconveniente conjunção astral.

Pois eis que hoje me vejo completamente convencido de que o inferno astral existe, e que o período pré-aniversário é realmente cheio de tragédias e provações. Só tenho dúvidas em relação ao tempo de duração desta fase negativa.

E se a crise fosse equivalente a dez por cento dos anos completados? Gosto desta métrica. Considerando que o aniversário seja de 100 anos, o inferno astral duraria uma década. Porém, considerando que o tempo não existe e que a medição dos dias e anos tem uma certa dose de arredondamento, como o que é corrigido nos anos bissextos, o inferno astral poderia durar mais de 10 anos. Doze anos, talvez.

Nestes 12 anos, naturalmente, não ocorreriam apenas tragédias. Apenas a relação entre bons e maus momentos seria desequilibrada. Os rebaixamentos de 2002 e 2012 empatam com os títulos da Série B. Um Campeonato Paulista de 2008 e uma Copa do Brasil de 2012 ficam de um lado da balança; todos os demais Campeonatos Paulistas, Copas do Brasil, eventuais Libertadores e Campeonatos Brasileiros ficam do outro lado - com destaque para o Brasileirão de 2009. O novo estádio no lado bom da balança, os últimos presidentes no lado ruim.

Assim, acredito que a vitória de ontem, contra o Coritiba, é um alerta: o inferno astral está acabando. Daqui a dois dias o Centenário vai pôr fim a este fase e o Palmeiras vai reassumir seu lugar de destaque no cenário futebolístico e esportivo.

Que os períodos de glória nos primeiros 100 anos sejam inspiração para períodos ainda mais alvissareiros. E que os palmeirenses do futuro tenham ainda mais orgulho do nosso querido clube.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

McPimenta: o Angus Tabasco é monótono

A linha Angus é uma ótima opção para quando dá vontade de comer McDonald's mas dá preguiça de comer Big Mac.

(Tenho uma teoria de que McDonald's não vende hambúrguer, vende um lanche parecido com hambúrguer, assim como a Pizza Hut vende uma torta parecida com pizza. Neste raciocínio, a linha Angus seria o sanduíche do McDonald's mais próximo de um hambúrguer.)

Angus com Tabasco

Acho o Angus Deluxe realmente gostoso: o molho (quase) sutil, dois hambúrgueres com carne suculenta e saborosa e a cebola com gosto e textura de cebola. O lanche é grande, enche a barriga pelo resto da tarde. O Angus Bacon também é legal, mas não sou lá muito fã de bacon, então prefiro o Deluxe mesmo.

Pois eis que há alguns dias li no Hambúrguer Perfeito e depois vi na TV a nova versão do Angus, com pimenta Tabasco. Salivei: Tabasco é uma delícia, Angus idem. Seria este o melhor sanduíche da rede?

Hoje finalmente fui sanar esta dúvida. Achei o sanduíche realmente apimentado, talvez até demais para paladares mais conservadores, porém bem equilibrado, saboroso. Mas senti falta de um pouco de sutileza, a pimenta é muito constante.

Não havia uma mordida com menos pimenta para contrastar com um pedaço mais quente, de modo que logo achei o sanduíche monótono. A cada pedaço eu sabia que viria mais pimenta.

Foi inevitável a comparação com o Furioso do Burger King, feito com rodelas de pimenta jalapeño, o que proporciona justamente esta "surpresa" a cada mordida.

Também achei o Angus com Tabasco muito leve, não fiquei com a sensação de barriga cheia. Isso pode ser um ponto positivo, mas não corresponde à minha intenção quando vou o McDonald's.

Valeu a experiência e valeu a ousadia de McDonald's em lançar um sanduíche apimentado, mas da próxima vez pedirei o Angus Deluxe. Ele ainda é a obra-prima do Ronald.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

John Henry Bonham

Meu baterista favorito, obviamente, é John Bonham. Mas hoje, com uma pequena ajuda de Keith Richards, finalmente consegui definir porque gosto tanto dele.


Keith Richards falou sobre Charlie Watts: "Esse tio sabe tocar a bateria. É tão sutil, acho que é o "roll" (do rock and roll). Não devem se concentrar no rock, isso qualquer um pode fazer, mas é o roll que conta. Não há ingredientes, mas tens que ter um bom baterista e vontade de querer fazer. Tens que desejar a morte."

Quem já ouviu Led Zeppelin não tem dificuldade em perceber que Bonham seria, na definição de Keith Richards, o exemplo mais explosivo de "rock". Mas tem muito "roll" nesse "rock". Bonham toca muito pesado, mas é um peso bem elaborado. E o diferencial: essa elaboração que não vem de estudos e ensaios, mas é intuitiva, feita por quem sabe o que pode conseguir dos tambores e pratos à sua frente. E dos tímpanos e do gongo.

Os vídeos abaixo foram gravados em Londres em 1975. Não é fácil encarar um solo de bateria de 20 e tantos minutos, mas Bonham torna isso possível e agradável. O mais legal é que Jason, 8 anos, filho de John, estava na plateia. Tempos depois ele se tornaria o baterista honorário do Led Zeppelin nas raras reuniões da banda.

Jason, this is your dad. John Bonham: "Moby Dick"!

Parte 1

Parte 2

Parte 3

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O belo exemplo de Faroeste Caboclo

Cartaz Faroeste Caboclo
A versão cinematográfica de Faroeste Caboclo é um excelente exemplo de roteiro (bem) adaptado.

Atenção: este texto contém spoilers.

Teria sido simples e seguro fazer um videoclipe da música. A letra é tão descritiva que bastaria ilustrar todas as situações descritas para o filme ficar pronto. Um eventual recurso de flashback, com cores desbotadas e os cantos da tela desfocados na parte em que João lembra tudo que viveu até ali, dezenas de figurantes reunidos para assistir ao duelo final, que em seguida apareceria na televisão de uma família abastada reunida para o jantar, e os fãs de Renato Russo sairiam do cinema felizes e satisfeitos.

Isso seria um desperdício de tempo e dinheiro, pois cada pessoa que prestou atenção na música já fez este filme em sua cabeça. Paulo Lins (roteiro) e René Sampaio (direção) optaram por contar uma história a partir de elementos sugeridos na canção original (a época em que as coisas acontecem, a Rockonha), mas com suficiente independência para a inclusão de novos personagens (o policial Marco Aurélio), uma apresentação mais detalhada de outros (Pablo e Jeremias) e, o mais chocante, mudando não o final da saga, mas a maneira como ele acontece.

O final do filme é, justamente, o trecho em que as alterações ficam mais evidentes. É muito forte a lembrança do repórter anunciando o duelo na televisão e o povo indo assistir ao confronto, mas no cinema isso ocorre em um campinho de futebol vazio, sem testemunhas.

A execução da música original durante os créditos serve bem para estimular a comparação entre a história contada pela Legião Urbana e a contada por Lins e Sampaio. E mostra como o filme tem vida própria.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Desabafo alviverde


Finalmente o Corinthians é campeão da Libertadores. Uma campanha impecável, campeão invicto em uma bela festa no Pacaembu que deixou a cidade com clima de final de Copa do Mundo. Os fogos de artifício não param e devem continuar assim durante todo o dia. O grande responsável por tudo isso? Andrés Sanchez.

Este título da Libertadores teve início em dezembro de 2007, quando o time foi rebaixado para a série B do Campeonato Brasileiro. O que poderia ser o princípio de uma grave crise acabou sendo a deixa para uma renovação no comando do clube. Após 15 anos Alberto Dualib deu lugar a Andrés Sanchez, que conseguiu unir o clube em torno do objetivo de subir à divisão principal.

A bela campanha da série B em 2008 conseguiu aumentar a auto-estima dos torcedores, um bando de loucos que não podia abandonar o time num momento tão delicado. Logo vieram mais títulos, Campeonato Paulista, Copa do Brasil, Brasileiro da série A. Só faltava a Libertadores, que quase se tornou um tabu após a elimiminação para o Flamengo no ano do centenário e para o Tolima em 2011.

Foi quando Andrés Sanchez se mostrou novamente decisivo. Ao invés de demitir o técnico Tite, atitude óbvia que contaria com amplo apoio da torcida, Andrés bancou o treinador e deu tranquilidade para que ele montasse o time ideal. Deu certo em 2011, com o título brasileiro, deu certo em 2012, com a Libertadores.

Imagino que nem todos os conselheiros do Corinthians apoiem Andrés Sanchez, mas seus opositores não têm atitudes destrutivas. Podem ter ideias divergentes, mas acima de tudo têm amor pelo mesmo clube, têm um ideal maior que os une.

Fico triste por não ver atitudes como esta entre os conselheiros e dirigentes do Palmeiras. A troca constante de presidentes após o longo período de Mustafá Contursi não trouxe a renovação esperada. Todos parecem lutar por seus próprios egos, por orgulhos pessoais, não pelo clube. No Palmeiras o sucesso de uma administração parece provocar inveja ao invés de alegria, então é melhor que ninguém tenha sucesso. 

Isso está levando o clube a uma situação delicada. A perspectiva de vencer a Copa do Brasil parece muito mais obra do acaso do que resultado de um trabalho sério. Não é possível traçar um cenário otimista para o restante da temporada e uma eventual participação na Libertadores de 2013.

O Palmeiras precisa de um Andrés Sanchez. De alguém que una o clube em torno de um ideal e resgate a auto-estima da comunidade alviverde. Caso contrário irá se tornar um coadjuvante, um pedaço da história do futebol brasileiro sem relevância no presente.

Atualização: Erich Beting publicou um texto há pouco explicando como Andrés Sanchez buscou a orientação de Ferran Soriano, dirigente do Barcelona, para planejar sua gestão. Confira: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2012/07/05/a-bola-nao-entra-por-acaso/